quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

a vaga impressão da vida

é só silêncio em mim.

sonhar me deixa perto do céu

Em meus sonhos posso tocá-lo, dançar na sua imensidão, e nos sonhos, pouco importa que eu não saiba dançar, eu danço. Sonhar me deixa perto de Deus. Me faz ser maior do que pensava ser possível. Sonhar me deixa perto de ti, da inocência do teu sorriso, da batida acelerada do teu coração. Sonhar me deixa perto do céu. De estrelas que vestem os olhos, nos atraindo feito ímãs.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Se eu fosse seu amor, desejaria somente você.

sábado, 13 de novembro de 2010

Lágrimas são como poesia

Deito a cabeça sobre o braço. Assisto a cada lágrima que escorre até a ponta dos dedos tocar o chão. Parece desenhar tristeza, traduzir todo o peso do mundo, uma gota por vez em curso irregular. Lágrimas são como poesia, verso por vez, palavras, estrofes, silêncio.
Pela noite, ele diz que sou a mais bela e que não há porque chorar. Que sou bondosa e não há porque chorar. Que sou feliz e não há porque chorar. Que sou diferente e não há porque chorar.
Ele diz tudo que preciso ouvir pra esquecer. Ele me faz sorrir das coisas mais bobas, e me mostra tanta alegria, como se o segredo da vida estivesse nas coisas minúsculas e sem importância, assim ele me diz em suas palavras apaixonadas, formando um quebra-cabeça não muito difícil de montar. Posso saber um pouco sobre sua vida, sua maneira de ser, seus verdadeiros sentimentos, as reflexões sobre seus assuntos prediletos, até mesmo coisas que ele não pretendia revelar. Um diário de imaginação, uma fábrica de sonhos perdidos.
Lágrimas são como poesia. A sua, a minha.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

No desconforto

Seus olhos sorriram pra mim. Olhos apressados, fugiam do mundo.
Na dança do destino, ali estávamos frente a frente, à esquerda, à direita, como se fosse ensaiado. Seus olhos sorriram pra mim. Olhos grandes, temerosos do mundo. Seus olhos me confessaram a surpresa, o amor e o desconforto.
No desconforto, seus olhos me viram e me amaram mais uma vez. Os meus, já tão cansados, não sabiam o que fazer. Luzes iluminavam nossos olhos.
Luzes de arco-íris e perfumes e flores. Em meio ao desconforto te amei.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A moça do ponto de ônibus

Era noite de verão, o vento frio e seco do mês de agosto balançava as lindas flores rosadas dos Ipês espalhados perto do ponto de ônibus. A luz dos postes fazia contraste de cores quentes com aquela paisagem. No ponto de ônibus estava uma moça. Beleza natural, simples. Ela gesticulava com o rapaz que estava ao seu lado, bem queria eu saber o que ela estava falando, mas estava com fones de ouvido. Ele prestava atenção a cada detalhe do que ela falava, parecia decorar detalhes de uma pintura. Eles riam e brincavam com suas mãos, como crianças que descobriam o primeiro palpitar da seiva, as pernas que andam e desandam..., era uma cena tão bonita de ser ver! Naquele minuto, senti inveja da moça do ponto de ônibus. Fui pra casa e continuava tocando "She will be loved" no meu iPod.




domingo, 25 de julho de 2010

Chegaram os materiais!


A notícia mais aguardada pela UnB Ceilândia finalmente chegou, mas não foi recebida com alegria por parte da comunidade acadêmica, que mais uma vez vai ter que dar um "jeitinho". Na última quinta-feira (22 de julho), um caminhão começou a descarregar os equipamentos para as práticas de fisioterapia e terapia ocupacional onde funciona nosso campus provisório, o CEM 04. Que o lugar tem problemas de todo o tipo, todos nós sabemos. Nada é suficiente. Não há espaço para nada. E onde foram guardados os materiais novos? Dentro do laboratório multiuso!
Quando os alunos começaram a questionar a diretoria sobre
o ocorrido, fomos repreendidos por estarmos reclamando de algo que é para a melhoria do andamento dos cursos.
Claro que concordamos nisso, mas sabemos que não há espaço para esses aparelhos serem montados, tampouco lugar adequado para colocá-los; e o que seria motivo de alegria para os estudantes, torna-se mais um transtorno. Por causa dos materiais estocados, não teremos aulas no laboratório. Se ainda havia uma ínfima esperança de uso do espaço para as práticas de microscopia e bioquímica com o fim da greve dos funcionários, agora não há mais nenhuma.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A minha Ana


A chamo de minha porque a carrego comigo a cada segundo dos dias mais belos ou tristes. Ana é
um nome tão bonito! Nome mulheril, poético, monossilábico e tão gostoso de se pronunciar! Uma sereia de longos cabelos; uma moça no banco da praça; caravelas em seu cabelo, uma mulher na mesa de fundo de um bar quase sumindo por entre a fumaça dos charutos. Ela exprime o mistério e a gostosura de ser "Ana". Que torna tudo tão sutil e bonito com apenas palavras doces e moderadas. Ana, a extensão de mim envelhecida, a intelectual, amante de Drummond, a nobre, sonhadora, escritora a galgar os escorcéus, a senhora na janela, a moça, a menina, a minha. Miranda.

domingo, 18 de julho de 2010

Vem me socorrer




Não tenho um tom
Não tenho palavras
Não tenho acorde que
Me socorra agora
Tudo foi embora
Só tenho você

Havia um silêncio
Que mostrou os meus vícios
Me agarro contigo
Vem me socorra agora
Tudo foi embora
Só tenho você amor
Agora

E essa não é mais uma canção de amor
Não, não, não

Eu canto pra ti
Sei onde estou
Olhando pra mim posso saber
Que nada sou

Eu grito pra ti oh Deus
Vem me socorrer
Olhando pra mim posso saber
Que nada posso fazer

domingo, 11 de julho de 2010

Meu oceano e eu

Era setembro e eu lembro do calor das noites. Novembro logo chegou, um doce novembro de dias frios e neblina. Chegou e se foi. Seu rosto sorrindo em minha direção foi logo desaparecendo entre o ar condensado. Agora as horas correm lá fora e tanto tempo se passou... Ainda lembro do doce novembro e da doce paixão, das risadas e do suor das mãos, das roupas de inverno que nos deixavam mais bonitos, das aulas de física que deixávamos de assistir e corríamos para a literatura! Dos brigadeiros, de correr na grama molhada, de cair em seus braços... Então aqui, meu querido, é que nos livraremos do pesadelo. Eu sonho em te envolver em meu braços, sonho bem acordada, em te envolver meus braços. Nós não somos só um, estamos desenhados aqui juntos. Meu oceano e eu...

domingo, 4 de julho de 2010

Sobre o namoro e a metodologia científica

No Aurélio diz assim: namoro 1 ato de namorar 2 relação de interesse amoroso recíproco.
Será mesmo? A cada dia eu observo a falta de interesse das pessoas com relação às pessoas, nos tornamos tão frios e... metodológicos! As pessoas têm uma hipótese visual sobre as outras, fazem seus testes, analisam resultados e vieses pra só a partir daí namorar. Metodologia científica pura! Experimentação pura! Então, quando você se torna namorado(a) de alguém, já testou tudo e não tem mais dúvidas de que ama a pessoa em questão.
Talvez esse seja meu lado cristã ainda bem aflorado, mas, por quê é assim? Consigo lembrar de alguns bons (nem tão bons assim) garotos que namorei, que, sem nunca terem testado nada, não queriam testar, porque a hipótese (mesmo que platônica) já estava bem fundamentada.
Então, as pessoas decidiram colocar uma etapa antes do namoro. Elas trocam saliva indiscriminadamente por alguns meses (não existe um prazo certo), às vezes até se relacionam sexualmente com o outro antes. Depois de todos os testes pra ver se tudo encaixa, é bom, é feliz, começa o namoro. E algumas pessoas PRECISAM disso pra começar a amar, de tão frias que são. Por isso hoje não existem mais poemas bonitos como antes, músicas bonitas como antes, pessoas bonitas como antes... Hoje, afeto e relacionamento não andam mais juntos. Hoje, libido e amor não andam mais juntos. Hoje, se você quiser espantar uma pessoa, diga a ela na segunda semana de rolo/namorico/troca de saliva que está apaixonado. Funciona!
E não, esse texto não fala de pudor nem de dor de cotovelo. Fala do reducionismo humano, da objetificação que a gente faz de tudo, da falta de compromisso conosco e com as pessoas ao redor. São todas relações forjadas, frustradas e vazias.
Quando começo a pensar que ficar sozinha não é legal, lembro disso e percebo o quão feliz eu sou sozinha! As pessoas costumam me perguntar porque não namoro há tanto tempo. É que eu não gosto de metodologia científica.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A quem possa interessar

Desde que se cogitou a proposta da construção dos novos campi da Universidade de Brasília nas cidades Gama, Planaltina e Ceilândia sentimo-nos vitoriosos, principalmente a em Ceilândia, que recebeu um campi com cinco cursos na área de saúde: Enfermagem, Saúde Coletiva, Terapia Ocupacional, Farmácia e Fisioterapia. É inegável a proposta inovadora que a universidade pretende cumprir numa cidade onde existe uma carência sistêmica principalmente na área de saúde. Infelizmente, estamos cada dia mais distantes de uma formação de qualidade capaz de cumprir essa proposta. Desde o primeiro vestibular realizado para esse campi, no 2° semestre do ano de 2008, os alunos têm vivido uma realidade acadêmica precária que até o momento foi apenas “remendada” com soluções paliativas e temporárias. As primeiras turmas deste campi tiveram boa parte de suas aulas num local improvisado no centro da Ceilândia. Não havia estrutura, laboratório, ventilação ou condição alguma para a ministração de aulas, e a promessa de entrega do campi definitivo estava prevista para outubro do mesmo ano (2008), prazo não cumprido pela empresa ganhadora da licitação e pelo GDF. Em 2009 os alunos foram deslocados para outro local provisório, o Centro de Ensino Médio 04 da Ceilândia (CEM 04), resultando em remanejamento de alunos ali matriculados devido a presença dos alunos da UnB dividindo o espaço com a instituição. O CEM 04 contava com uma maior estrutura (ainda precária) oferecendo um maior acervo de livros na biblioteca, um laboratório de informática e um laboratório multiuso; mesmo neste novo local as condições eram ruins, não havia espaço para uma turma inteira fazer uso desses ambientes ao mesmo tempo. Um novo prazo de entrega do campi foi dado: março de 2010. Enquanto essa realidade nos confrontava e o atraso das obras era evidente, fizemos protestos e pressionamos a reitoria que nos deu um novo prazo: 21 de abril de 2010 (aniversário de Brasília). O prazo não foi cumprido e devido a demanda de alunos aprovados no vestibular a cada semestre, o espaço no CEM 04 tornou-se insuficiente. Mais uma vez, como solução temporária, a UnB alugou duas salas na Escola Técnica de Ceilândia, nas proximidades do CEM 04, onde estão sendo administradas aulas de algumas disciplinas. E as obras do campi definitivo estão totalmente paradas.
Hoje estamos vivendo essa realidade, o CEM 04 e a Escola Técnica de Ceilândia não são capazes de suportar os alunos dos quatro períodos dos cinco cursos, não temos restaurante universitário, não temos exemplares de livros suficientes, não temos aulas práticas suficientes nem de qualidade, não temos laboratórios individualizados para cada departamento, não temos condições mínimas de estudo (as salas são superlotadas, faltam cadeiras, falta espaço na biblioteca, falta espaço nos laboratórios), não temos segurança suficiente (devido a grande movimentação da área, muitas pessoas são assaltadas e carros são furtados em plena luz do dia) e estamos vivendo de medidas provisórias há dois anos. Dois anos! Como se não fosse o suficiente, a comunidade acadêmica de Ceilândia é ignorada e a integração entre os campi não faz sentido, uma vez que existe o transporte gratuito inter campi, mas a burocracia para conseguir pegar aulas em outros campi é absurda, quando deveria ser feita via internet! E estamos passando por um pós-greve dos professores que resultou em um calendário retroativo, onde não teremos férias e estamos a 100 dias sem funcionários e técnicos devido a atual greve da classe, o que resulta em biblioteca e laboratórios trancados.
Nós queremos uma formação de qualidade, queremos ser ouvidos, queremos ser valorizados, queremos ter boas condições de estudo; nós não somos o “resto” da UnB, somos parte integrante (Gama, Planaltina, Ceilândia e Darcy Ribeiro) da Universidade e queremos ser tratados como tal.


Se você se sensibiliza pela causa, encaminhe esse texto para protesteja@band.com.br

sábado, 19 de junho de 2010

sábado, 22 de maio de 2010

Viver poesia

Sinto o gosto bom da rua à tarde
O tremitar do vento que vai levando minha vida
Eu vivo poesia
Os papeis de aromas desconhecidos
E a vontade de abraçar o céu
Eu vivo poesia
As emoções inéditas
Que tomam conta das linhas onde irrefletidamente
Escrevo seu nome
Eu vivo poesia
Partir, deixar, dar
Vivo poesia porque outro modo de viver não quero provar
E no meu pequeno navio perdido no mar
Quero que seja meu mapa
Vou me afundar em seu braços
E viver poesia lá





quinta-feira, 29 de abril de 2010


Se me obrigassem a dizer porque a amava, sinto que a minha única resposta seria: ''Porque eu era ela,e porque ela era eu''

O concurso público e eu

Nunca entendi o porquê da vida ser uma eterna corrida pra se estar sempre na frente a qualquer custo. Estudamos, estudamos, estudamos, estudamos e passamos numa universidade federal. Carregamos o estigma do mais inteligente e mais capaz. Aí somos jogados de volta pra competição. Estudamos, estudamos, estudamos, estudamos, temos um bom índice de rendimento acadêmico e acabamos conseguindo aquela vaga de estágio legal. Então, mais competição. Estudamos, estudamos, estudamos, estudamos pra passar num concurso público e seremos felizes para sempre, não é assim?
A ilusão colegial é de que "passei na universidade, cheguei lá". Deveria ser. Mas, ao contrário de nossas expectativas, cada dia somos mais puxados. Daqui, dali. Oito semestres são muito do tempo que renunciamos para apenas nos dedicar às nossas formações, contudo.
Eu que continuo aqui, de crises em crises, pergunto a quem possa interessar: "Por quê?" A vida é mesmo essa corrida louca sem motivos que ultrapassem nossas zonas de conforto? Essa corrida suja por dinheiro a qualquer custo vale a pena? Pergunte a qualquer concurseiro qual é seu objetivo e ele dirá "estabilidade". Traduzindo: falta de responsabilidade, dinheiro fácil, garantia de não ser demitido. Ninguém diz que quer servir a seu Estado, que quer ser responsável ou ajudar pessoas.
Eu me recuso a entrar nesse clube. Eu não quero dinheiro acima de tudo. Eu quero fazer o que amo, independente se me dê lucros modestos, quero ajudar as pessoas voluntariamente, e, enfim, quero que as pessoas pensem como eu.
Mas essa parte é só um sonho.
Hipócrates que me ajude!

sábado, 20 de março de 2010

I wish you well.


I, I want to wish you well

I didn't watch you go

Cause I suppose I don't know how

I, I will remember you



Not the way you left, but how you lived
And what you knew

I'll find my way
'Cause you showed me how





I, I want to know it's you
When I hear your voice inside my head, indisde my room


I want to touch the sky


I want to see the stars twinkle


Like they were your eyes


And I'll find my way
'Cause you showed me how to find my way

I'll find my way
'Cause you showed me how


I, I want to smell your scent
I want to breathe the air I did before



Before you left



I want to wish you well




The only reason my heart beats


Is cause you showed it how





And I'll find my way



'Cause you showed me how to find my way



You showed me how



You showed me how



You showed me how


Huuuuuum...
Saudades pra sempre, minha menina.


segunda-feira, 15 de março de 2010

As folhas de março balançam sob o sol escaldante
Desavisado vai o curso da vida
Descansa a minha face fitando o céu
Sente o ar abafado
Os pinheiros tão grandes
Tanta coisa dentro de mim
Nesse dia amarelo, assim
Quem me dera ter tuas cores
Vestir-me de lírios
Esquecer amores...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Maybe I'm Just Tired

É, estou cansada. Cansada de religiosidades. Cansada de procurar. Muitas pessoas pensam que eu me rebelei. Talvez. Não? Tanta repressão deve ter me deixado assim. A verdade é que eu sempre estive farta do sistema religioso. A diferença é que antes eu sentia culpa em verbalizar. Agora não. Induzida ao choro fácil em igrejas, não por espiritualidade. Mas quem, na assembleia dos santos, não tem motivos para chorar? Chorava de vazio, de tristeza... Chorava por me sentir hipócrita e por deixar a culpa me tomar naquela congregação em que eu era a mais desagregada, mais perdida... E voltar pra casa sempre com aquele vazio nunca preenchido. Não preenchido com cargos, louvor, teatro, secretariado, grupo de jovens... Eu me esvaía naquele lugar.
Achei que o problema estava ali e fui atrás de outros lugares. Em vão. Então o problema só podia estar em mim! Uma leve paranoia, talvez. O tempo que me dei ajudou a reorganizar muitas coisas dentro de mim.
A verdade é que estive cansada. Cansada de clubinhos ao invés de igrejas. Cansada de tantos "não" e nenhum "porque". Cansada de frequentar um lugar onde, em nome de Deus, as pessoas eram induzidas à barganha, à passividade, às vãs repetições, ao culto sem propósito, aos rituais sem emoção, à ignorância. Não consigo chamar de igreja um lugar onde Deus te amará apenas se você seguir o padrão dogmático estabelecido pela instituição, pois Deus não rejeita a ninguém, mas as pessoas sim. É como um pai dizer a seu filho que ele só o amará e fará dele seu filho se cumprir uma lista de requisitos. Não consigo chamar de igreja um lugar onde acreditam que Deus deva servir ao homem, não ao contrário, como minha própria bíblia (e a sua também) orienta, nunca o deixando falhar, perder, errar; porque aprendi que todas as coisas contribuem para o bem dos que amam o Pai, e tudo o que Ele faz é perfeito, nós que somos demasiadamente humanos para entender essa perfeição e atropelamos tudo. Não consigo chamar de igreja um lugar onde são lançados devoradores sob a vida daqueles que não pagam a mensalidade. Não consigo chamar de igreja um lugar onde Deus seja visto como um faraó que está pronto a te punir. Não consigo chamar de igreja um lugar onde o pastor não é verdadeiro, onde ele é um salteador. E não falo da questão financeira. Falo do roubo de sonhos, de esperanças, de alegria plena no Evangelho, transformando o jugo suave e o fardo leve em exigências sobrehumanas. Sinceramente, não consigo chamar de igreja um lugar assim. Não consigo chamar de igreja os clubinhos que frequentei. São só clubinhos.
A igreja que eu quero frequentar não é perfeita, pois é constituída por homens, que por sua vez não são perfeitos, mas que se respeitam em amor, mal podendo discernir quem são seus líderes, pois o maior se faz menor e todos procuram suprir as necessidades do próximo. A igreja que eu quero frequentar reflete a graça de Deus, pura e verdadeira, baseada no amor e nas escrituras. A igreja que eu quero frequentar é imitadora de Cristo, mudando toda realidade à sua volta, como Ele mesmo o fez. Acalmando o pobre de coração, oferecendo perdão à toda sorte de excluídos. A igreja que eu quero fequentar nem precisa ter um templo alugado, pois aprendi que a igreja está dentro de nós. Nós somos a igreja. Eu encontrei a igreja em mim. E digo a quem quiser em alto e bom tom: ENCONTREI O MEU LUGAR. E nem precisei procurar, pois Ele vive dentro de mim, numa transformação cotidiana, num relacionamento sem teatralidades, na beira da minha cama, no amor ao próximo, na palavra que conforta e exorta com amor.
Por isso eu respondo a quem possa interessar: Não vou frequentar uma igreja. Não preciso aparentar santidade num banco. Eu não quero mais ir à templos e voltar frustrada para casa. E peço perdão a Deus se isso O desagrada. Eu prefiro andar com Ele e servir somente a Ele. Eu prefiro levantar a bandeira de Jesus que de qualquer instituição religiosa. Eu prefiro fazer a diferença em atitudes que em filosofias.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Luz de lua peregrina que pinta às avessas o luar
Não vem do gosto por poesia o dom de amar
Vem da disposição de sofrer
Se entregar
De entristecer, acompanhar
Amor é terra de além-mar
E eu
Bem, eu...
Prefiro ficar

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Respiro, inspiro. Cílios longos pesando sobre meus olhos pseudoverdes, piscando lentamente. Esboço um sorriso no rosto iluminado pela luz das 9 horas da manhã que entra sem pedir licença pela janela do quarto. A noite passou. É sempre um dia de cada vez. Nem sempre tudo muda, mas tudo recomeça.
Escuto aquela voz distante me dizer que ama a luz dos meus olhos, mas ao meu lado não está mais. É quente lá fora e frio aqui dentro de mim.
Respiro, inspiro.
Espero.
E o mar [que nos separa]
tão profundo e grande
quanto o mar que bate
dentro
de
mim... (Camila Oliveira)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O homem e o espelho

Em seu 80° aniversário, ele se levantava da cama e lavava seu rosto como fazia todos os dias. Não era mais um jovem de 20 anos, mas continuava sem saber qual o sentido da vida. Aquele rapaz desprezava tanto a si mesmo que não permitia que as pessoas o envolvessem, ele dizia que amava seu conforto e suas filosofias. Naquele dia pôde perceber que seus olhos estavam envelhecendo. Era um sinal de seus defeitos fatais, que muito o acusavam. Ele buscava por perfeição e nunca encontrou alguém que fosse bom o suficiente, fazia discursos sobre a solidão como má companhia, mas acabou a sós com ela.
Se vestiu e sentou em sua cadeira de balanço na varanda quando viu uma bela senhora com fitas em seu longo cabelo atravessar a rua... Os olhos cansados daquele homem gostariam de amar novamente, e dizer àquela senhora em tempos mais ensolarados: "Por favor não vá, não me deixe aqui sozinho, porque um espelho não é agradável para abraçar".
Desejaria ficar e conversar sobre as nuvens, o cheiro do mar, sobre o verão passado e dizer em dias mais ensolarados: "Por favor não vá, não me deixe aqui sozinho, porque um espelho não é agradável para conversar".

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Parte 8, página 18.

O que é amar? É ter a pessoa tão dentro de nós tão fundo e num tão incomportável grilhão que dela nos sentimos marcar a fogo e basta fechar os olhos para ver em si e de noite ela nos faz tormentas e de nosso corpo uma fornalha e é a quem queremos ter sempre mais, a quem nos queremos desvelar e por quem partimos ou por quem ficamos e para quem queremos dar toda a limpeza do sol e das estrelas, dizer todas as falas de nosso saber e nos deixa metidos em correntes, colares aos pescoços, algemas nas mãos e ainda assim avoamos feito as aves. Depois de ter o seu rosto por um muito longo espaço tão perto do meu e seus olhos tão dentro dos meus, se foi pelo oceano[...]

Desmundo - Ana Miranda (adaptado)

Sobre escrever e estar triste, ou vice-versa.

"Será que ela sempre terá que passar por isso pra escrever suas músicas?" - disse o pai de Amy Winehouse numa entrevista de seu DVD Live in London, a respeito de vê-la sofrer ao se dar mal num relacionamento. "Todos passam por coisas assim, não?" - disse ela jogando o cabelo pelos ombros. "Quando canto uma canção, tento me lembrar de como me senti no momento em que a escrevi. Termino quase sempre em lágrimas." Am I a little bit Amy Winehouse?
Boas notícias então. Ou más. Brancura em folhas novamente.
Não tenho mais palavras doces a proferir sobre sofrimento, essas que geralmente me cabem tão bem... Motivos para estar triste? Sempre. Motivos para estar feliz? Um basta para anular todos os outros.
Vim aqui escrever já que conheci um moço muito simpático há pouco tempo que disse ler meu blog há dias. Ler meu blog tudo bem. Há dias é covardia! Me desnuda um bocado!
Estarei voltando. Com outros motivos de inspiração agora. Rios de palavras dentro de mim. Vou abrir a represa.