quarta-feira, 23 de junho de 2010

A quem possa interessar

Desde que se cogitou a proposta da construção dos novos campi da Universidade de Brasília nas cidades Gama, Planaltina e Ceilândia sentimo-nos vitoriosos, principalmente a em Ceilândia, que recebeu um campi com cinco cursos na área de saúde: Enfermagem, Saúde Coletiva, Terapia Ocupacional, Farmácia e Fisioterapia. É inegável a proposta inovadora que a universidade pretende cumprir numa cidade onde existe uma carência sistêmica principalmente na área de saúde. Infelizmente, estamos cada dia mais distantes de uma formação de qualidade capaz de cumprir essa proposta. Desde o primeiro vestibular realizado para esse campi, no 2° semestre do ano de 2008, os alunos têm vivido uma realidade acadêmica precária que até o momento foi apenas “remendada” com soluções paliativas e temporárias. As primeiras turmas deste campi tiveram boa parte de suas aulas num local improvisado no centro da Ceilândia. Não havia estrutura, laboratório, ventilação ou condição alguma para a ministração de aulas, e a promessa de entrega do campi definitivo estava prevista para outubro do mesmo ano (2008), prazo não cumprido pela empresa ganhadora da licitação e pelo GDF. Em 2009 os alunos foram deslocados para outro local provisório, o Centro de Ensino Médio 04 da Ceilândia (CEM 04), resultando em remanejamento de alunos ali matriculados devido a presença dos alunos da UnB dividindo o espaço com a instituição. O CEM 04 contava com uma maior estrutura (ainda precária) oferecendo um maior acervo de livros na biblioteca, um laboratório de informática e um laboratório multiuso; mesmo neste novo local as condições eram ruins, não havia espaço para uma turma inteira fazer uso desses ambientes ao mesmo tempo. Um novo prazo de entrega do campi foi dado: março de 2010. Enquanto essa realidade nos confrontava e o atraso das obras era evidente, fizemos protestos e pressionamos a reitoria que nos deu um novo prazo: 21 de abril de 2010 (aniversário de Brasília). O prazo não foi cumprido e devido a demanda de alunos aprovados no vestibular a cada semestre, o espaço no CEM 04 tornou-se insuficiente. Mais uma vez, como solução temporária, a UnB alugou duas salas na Escola Técnica de Ceilândia, nas proximidades do CEM 04, onde estão sendo administradas aulas de algumas disciplinas. E as obras do campi definitivo estão totalmente paradas.
Hoje estamos vivendo essa realidade, o CEM 04 e a Escola Técnica de Ceilândia não são capazes de suportar os alunos dos quatro períodos dos cinco cursos, não temos restaurante universitário, não temos exemplares de livros suficientes, não temos aulas práticas suficientes nem de qualidade, não temos laboratórios individualizados para cada departamento, não temos condições mínimas de estudo (as salas são superlotadas, faltam cadeiras, falta espaço na biblioteca, falta espaço nos laboratórios), não temos segurança suficiente (devido a grande movimentação da área, muitas pessoas são assaltadas e carros são furtados em plena luz do dia) e estamos vivendo de medidas provisórias há dois anos. Dois anos! Como se não fosse o suficiente, a comunidade acadêmica de Ceilândia é ignorada e a integração entre os campi não faz sentido, uma vez que existe o transporte gratuito inter campi, mas a burocracia para conseguir pegar aulas em outros campi é absurda, quando deveria ser feita via internet! E estamos passando por um pós-greve dos professores que resultou em um calendário retroativo, onde não teremos férias e estamos a 100 dias sem funcionários e técnicos devido a atual greve da classe, o que resulta em biblioteca e laboratórios trancados.
Nós queremos uma formação de qualidade, queremos ser ouvidos, queremos ser valorizados, queremos ter boas condições de estudo; nós não somos o “resto” da UnB, somos parte integrante (Gama, Planaltina, Ceilândia e Darcy Ribeiro) da Universidade e queremos ser tratados como tal.


Se você se sensibiliza pela causa, encaminhe esse texto para protesteja@band.com.br

5 comentários:

* R!¡GØTTØ * disse...

Problemas como ventilação, roubo de carros, falta de segurança e carência de mais exemplares de livros também são realidade do campi Darcy Ribeiro, sendo que alguns livros - o Sobotta, de anatomia, e o The Cell, de citologia, como exemplos vivenciados por mim - tem muito mais disponibilidade na biblioteca da ceilândia que na BCE, tive eu que pegar o metrosão pra pegar esses livos na biblioteca de vocês semestre passado xD Lembrando que vocês podem pegar livros na BCE também se quiserem e ir renovando pela internet, tendo que ir de novo lá só pra devolver... Não se sinta tão injustiçada... Mas de fato a demora pra entrega do campi definitivo de vocês é algo que encomoda... Ano de eleição é sempre parado, com esse problema que teve do Arruda então, já viu neh... Deve ser isso a demora também... Relaxa um pouco e aproveita a universidade!

Juventude Conservadora da UnB disse...

Rafaela,

Postamos o seu texto no nosso blog e vamos ajudar a divulgá-lo para todos os alunos da UnB. Essa falta de integração chega a ser imoral.

Precisando de qualquer tipo de ajuda, conte conosco no que for preciso!

Abraços!

Hévi ! disse...

Sou aluna da FCE, divulguei lá no meu blog tb!
Beijinhos

Rafaela disse...

Oi Rigotto, eu AINDA posso relaxar, aproveitar a universidade e sonhar com melhoras, mas a galera do 4º semestre, com metade do curso concluído e sem práticas não podem.
Não devemos ser omissos - nem na FCE, nem no Darcy Ribeiro - e achar que tudo é normal. A diferença é que na FCE todas as proporções são diferentes. Como você mesmo disse, todos esses problemas são suportáveis ainda, só a entrega do novo campus não pode esperar! Experimente pegar uma aula na FCE, dividindo parede com uma escola de ensino médio, tente passar um dia inteiro da FCE sem RU. Ops,m esqueci que não existe integração entre FCE e Darcy Ribeiro. Você mesmo visitou nosso campi só pra pegar um livro. Se eu não me sentir injustiçada, como vou me sentir?

RC disse...

Solidariedade a vocês. Infelizmente vivemos no país dos "resultados", ou seja, números que não significam nada. Veja o caso do Reuni.