domingo, 29 de julho de 2012
A noite de ontem foi linda. Como se o universo percebesse que eu precisava admirar certas coisas há muito esquecidas por mim. Fiquei nervosa, tive gastrite e pesadelos nos últimos dias. Eu sabia que meu corpo tava me avisando tudo desde o início. Mas a noite de ontem foi linda. Fitas ao vento, abraços sem fim, sorrisos inocentes e doces. Casa, banho quente, canto and it's over, and I'm going under, but Im not givin' up, I'm just givin' in. Até as lágrimas que derramei foram dançantes. Levaram minha maquiagem, meu medo, meu pesadelo... Sonhei com beijos calorosos e olhos azuis e flores no cabelo.
terça-feira, 17 de julho de 2012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
O casal que ia mudar o mundo
Ele amava ela que amava ele que os faziam crer que mudariam o mundo. Ela trocou a armação antiga dos óculos por uma moderna, dessas de jornalista. E passou no vestibular pra comunicação. Ele fez fotografia, transformou paixão em ofício e foi congelar momentos por aí. Eram lindos com seus cabelos crespos ao ar! Dois anarquistas, sonhadores, vegetarianos e inconsequentemente belos. Seus olhos sempre enxergando algo adiante...
Um dia ela foi pro Canadá. Comprou livros e aprendeu a cozinhar. Trocou a armação dos óculos de novo. Ouviu músicas e abraçou árvores.
Ele foi para a igreja. Comeu churrasco, raspou o cabelo e vai se casar com uma moça ruiva.
Soube que não vão mais mudar o mundo.
Um dia ela foi pro Canadá. Comprou livros e aprendeu a cozinhar. Trocou a armação dos óculos de novo. Ouviu músicas e abraçou árvores.
Ele foi para a igreja. Comeu churrasco, raspou o cabelo e vai se casar com uma moça ruiva.
Soube que não vão mais mudar o mundo.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Querência de não me ser suficiente
Eu não tenho sobrenome estrangeiro. Sempre quis. Deve ser porque penso em todo trabalho científico que quero produzir pra sair bem e bonita nas citações. Não tenho sotaque. Dizem que tenho, mas acho que é só uma lacuna brasiliense que eu preencho ao roubar o sotaque dos outros. Eu não passei no vestibular pra Letras. Eu queria. Tentei duas vezes. Mas talvez não soubesse mesmo se queria naquela época. Eu quis fazer Ciências Sociais depois que estudei Sociologia em Saúde na UnB. Eu nunca quis UnB. Eu quis sair do quadradinho e conhecer gente, que nem nos filmes americanos em que as pessoas se mudam pra fazer graduação. Eu sempre quis aprender inglês. Ficava cantando letras de músicas que eu mal entendia. Lá no fundo eu tenho inveja de todo mundo que fez um bocadinho das coisas que eu acabei deixando escorregar pelo tempo. E fiquei nessa querência de não me ser suficiente em quase nada.
E eu sussurro bem baixinho por aí que existem escolas que defendem que a Terapia Ocupacional não é uma profissão biomédica, sim social. Aí mando meu id calar a boca. Mas me alivia, na verdade.
E eu sussurro bem baixinho por aí que existem escolas que defendem que a Terapia Ocupacional não é uma profissão biomédica, sim social. Aí mando meu id calar a boca. Mas me alivia, na verdade.
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