sábado, 10 de julho de 2010

domingo, 4 de julho de 2010

Sobre o namoro e a metodologia científica

No Aurélio diz assim: namoro 1 ato de namorar 2 relação de interesse amoroso recíproco.
Será mesmo? A cada dia eu observo a falta de interesse das pessoas com relação às pessoas, nos tornamos tão frios e... metodológicos! As pessoas têm uma hipótese visual sobre as outras, fazem seus testes, analisam resultados e vieses pra só a partir daí namorar. Metodologia científica pura! Experimentação pura! Então, quando você se torna namorado(a) de alguém, já testou tudo e não tem mais dúvidas de que ama a pessoa em questão.
Talvez esse seja meu lado cristã ainda bem aflorado, mas, por quê é assim? Consigo lembrar de alguns bons (nem tão bons assim) garotos que namorei, que, sem nunca terem testado nada, não queriam testar, porque a hipótese (mesmo que platônica) já estava bem fundamentada.
Então, as pessoas decidiram colocar uma etapa antes do namoro. Elas trocam saliva indiscriminadamente por alguns meses (não existe um prazo certo), às vezes até se relacionam sexualmente com o outro antes. Depois de todos os testes pra ver se tudo encaixa, é bom, é feliz, começa o namoro. E algumas pessoas PRECISAM disso pra começar a amar, de tão frias que são. Por isso hoje não existem mais poemas bonitos como antes, músicas bonitas como antes, pessoas bonitas como antes... Hoje, afeto e relacionamento não andam mais juntos. Hoje, libido e amor não andam mais juntos. Hoje, se você quiser espantar uma pessoa, diga a ela na segunda semana de rolo/namorico/troca de saliva que está apaixonado. Funciona!
E não, esse texto não fala de pudor nem de dor de cotovelo. Fala do reducionismo humano, da objetificação que a gente faz de tudo, da falta de compromisso conosco e com as pessoas ao redor. São todas relações forjadas, frustradas e vazias.
Quando começo a pensar que ficar sozinha não é legal, lembro disso e percebo o quão feliz eu sou sozinha! As pessoas costumam me perguntar porque não namoro há tanto tempo. É que eu não gosto de metodologia científica.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A quem possa interessar

Desde que se cogitou a proposta da construção dos novos campi da Universidade de Brasília nas cidades Gama, Planaltina e Ceilândia sentimo-nos vitoriosos, principalmente a em Ceilândia, que recebeu um campi com cinco cursos na área de saúde: Enfermagem, Saúde Coletiva, Terapia Ocupacional, Farmácia e Fisioterapia. É inegável a proposta inovadora que a universidade pretende cumprir numa cidade onde existe uma carência sistêmica principalmente na área de saúde. Infelizmente, estamos cada dia mais distantes de uma formação de qualidade capaz de cumprir essa proposta. Desde o primeiro vestibular realizado para esse campi, no 2° semestre do ano de 2008, os alunos têm vivido uma realidade acadêmica precária que até o momento foi apenas “remendada” com soluções paliativas e temporárias. As primeiras turmas deste campi tiveram boa parte de suas aulas num local improvisado no centro da Ceilândia. Não havia estrutura, laboratório, ventilação ou condição alguma para a ministração de aulas, e a promessa de entrega do campi definitivo estava prevista para outubro do mesmo ano (2008), prazo não cumprido pela empresa ganhadora da licitação e pelo GDF. Em 2009 os alunos foram deslocados para outro local provisório, o Centro de Ensino Médio 04 da Ceilândia (CEM 04), resultando em remanejamento de alunos ali matriculados devido a presença dos alunos da UnB dividindo o espaço com a instituição. O CEM 04 contava com uma maior estrutura (ainda precária) oferecendo um maior acervo de livros na biblioteca, um laboratório de informática e um laboratório multiuso; mesmo neste novo local as condições eram ruins, não havia espaço para uma turma inteira fazer uso desses ambientes ao mesmo tempo. Um novo prazo de entrega do campi foi dado: março de 2010. Enquanto essa realidade nos confrontava e o atraso das obras era evidente, fizemos protestos e pressionamos a reitoria que nos deu um novo prazo: 21 de abril de 2010 (aniversário de Brasília). O prazo não foi cumprido e devido a demanda de alunos aprovados no vestibular a cada semestre, o espaço no CEM 04 tornou-se insuficiente. Mais uma vez, como solução temporária, a UnB alugou duas salas na Escola Técnica de Ceilândia, nas proximidades do CEM 04, onde estão sendo administradas aulas de algumas disciplinas. E as obras do campi definitivo estão totalmente paradas.
Hoje estamos vivendo essa realidade, o CEM 04 e a Escola Técnica de Ceilândia não são capazes de suportar os alunos dos quatro períodos dos cinco cursos, não temos restaurante universitário, não temos exemplares de livros suficientes, não temos aulas práticas suficientes nem de qualidade, não temos laboratórios individualizados para cada departamento, não temos condições mínimas de estudo (as salas são superlotadas, faltam cadeiras, falta espaço na biblioteca, falta espaço nos laboratórios), não temos segurança suficiente (devido a grande movimentação da área, muitas pessoas são assaltadas e carros são furtados em plena luz do dia) e estamos vivendo de medidas provisórias há dois anos. Dois anos! Como se não fosse o suficiente, a comunidade acadêmica de Ceilândia é ignorada e a integração entre os campi não faz sentido, uma vez que existe o transporte gratuito inter campi, mas a burocracia para conseguir pegar aulas em outros campi é absurda, quando deveria ser feita via internet! E estamos passando por um pós-greve dos professores que resultou em um calendário retroativo, onde não teremos férias e estamos a 100 dias sem funcionários e técnicos devido a atual greve da classe, o que resulta em biblioteca e laboratórios trancados.
Nós queremos uma formação de qualidade, queremos ser ouvidos, queremos ser valorizados, queremos ter boas condições de estudo; nós não somos o “resto” da UnB, somos parte integrante (Gama, Planaltina, Ceilândia e Darcy Ribeiro) da Universidade e queremos ser tratados como tal.


Se você se sensibiliza pela causa, encaminhe esse texto para protesteja@band.com.br

sábado, 19 de junho de 2010